O chão da rua tremulava lá fora e ela, com as crianças pelas mãos, se instalou debaixo do ventilador de teto da lanchonete colorida da Praça da Bandeira.
As fez sentar nos banquinhos e lhe brotou no rosto, mais acabado do que deveria, um sorriso de graça por ver os pezinhos deles balançando, como se estivessem na borda de uma piscina.
O calor carioca era tanto que chegara a esquentar-lhe a bolsinha de moedas, que sentia leve como um passarinho na sua mão.
Encostou a barriga no balcão e começou a flexionar sua aritmética, enquanto olhava o mostrador com os preços e os produtos. Jogou os centavos de um lado para o outro até conseguir num resultado satisfatório dentro de todas as possibilidades disponíveis.
Colocou as moedas mornas na mão do atendente e levou o lanche até as crianças. Um joelho para cada e um copo de refresco de caju e outro de maracujá. Afinal, não é porque eram irmãos que teriam os mesmos gostos, sabia disso.
Ficou ali observando os dois se deliciarem enquanto amansava sua própria fome com a satisfação deles.